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Ética nas palavras de dom Albano
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A ética nas profissões relacionadas à saúde foi o tema da homilia de formatura feita pelo arcebispo emérito de Londrina, dom Albano Cavallin. O sacerdote explica as virtudes dos profissionais que cuidam do outro. Confira as palavras de dom Albano seguir.

HOMILIA DE FORMATURA/2010

Ouvi dizer que na Escola Mater Ter há um slogan sagrado para seus alunos. Os alunos aqui formados devem viver a diferença. Um dia descobri que fazer a diferença é viver a ética na profissão. Neste dia bonito da Formatura dos vários formandos: Técnicos de Enfermagem, Biodiagnóstico, Podologia e Técnicos em Radiologia eu gostaria de meditar sobre a mensagem: a Ética na profissão.
Mas o que é Ética cristã? Dizem os estudiosos que ética é o estudo e a vivência do que é bom ou mau, correto ou incorreto, justo ou injusto, adequado ou inadequado, à luz dos valores do Evangelho de cristo. Isto é ser um profissional, eticamente bom.
Alguns exemplos esclarecedores: o varredor de rua que se preocupa em limpar o canal de escoamento de água de chuva; o médico cirurgião que confere as suturas nos tecidos internos, antes de completar a cirurgia; o técnico de enfermagem que cuida da assepsia da bandeja; o técnico em biodiagnóstico que realiza os exames; o podólogo que usa alicates esterilizados; o técnico de radiologia que verifica duas vezes a radiografia. Todos estão agindo com máxima exatidão e de forma eticamente correta em sua profissões, ao fazerem o que não é visto, ao fazerem aquilo que, alguém descobrindo, não sabia quem fez, mas que estão preocupados, mais do que com os deveres profissionais com as pessoas, que são também filhos de Deus segundo o Evangelho.
Dizem os estudiosos que o profissional da Saúde que hoje também se diz o Cuidador do Outro deve ter 5 Cs. Vamos meditá-los à luz de pequenas histórias.

1° C – A Compaixão.
Não basta o conhecimento da técnica, o importante é “comportamento” que pede sensibilidade, responsabilidade, e o assumir a realidade da pessoa.
Um exemplo: Aconteceu em um hospital de Curitiba.
Alunos de medicina, em grupo de 10 estudantes, com seu professor vieram fazer uma visita de estudos a um paciente especial. Levantaram os lençóis, apalparam o doente, falaram termos difíceis, depois foram embora.
Uma segunda turma de estudantes repetiu a cena, trocaram ideias e também foram embora. Ao chegar a enfermeira o doente é que fez verdadeiro diagnóstico: vieram aqui e se esqueceram que eu sou gente.
Traduzindo. Eu não sou apenas um objeto de estudos. Eu tenho, como gente, o direito de minha privacidade.
Eu tenho esposa e filhos.
Lá em casa todos me amam.
Eu sou o seu João da Silva, um operário honrado na firma.
Eu sou um Filho de Deus que até Jesus me conhece e sofreu por mim.
Este fato esclarece bem o slogan: Ética na profissão.

O 2° C é a Competência.
Aí eu vejo a beleza e o rigor dos estágios que vão acumulando experiências. A vida é também uma grande escola.

O 3° C é a Confiança.
Confiança que não se compra, mas se constrói.
O povo, por exemplo, canoniza os laboratórios.
É de tal laboratório? Então é bom.
Em Londrina, quem não sabe que a Santa Casa é campeã em assepsia?

O 4° C é a Consciência.
Ninguém vê, mas entre vocês uma ampola ou um remédio que cair da bandeja o seu destino é o lixo.
É preciso agir assim, pois atrás daquele remédio estragado, está uma vida humana.

O 5° C é o Comprometimento.
Que procura casar os desafios e angústias do doente com os deveres de um profissional.
Eu mesmo, na Santa Casa, fiz esta experiência dos trabalhos comprometidos de um enfermeiro que depois de uma operação teve que me dar banho.
Em minha vida de 80 anos eu só tinha a experiência de meu corpo ser lavado quando pequeno, pelas mãos de minha mãe.
E eu senti que o enfermeiro com sua delicadeza imitava algo da delicadeza e bondade da minha mãe, que ele não estava lavando um saco de batatas, mas um corpo humano de um bispo cheio de pudor.
Estes 5 Cs trazem muitas exigências. Sempre admirei as radiografias do coração quando os médicos revelam segredos das várias regiões que podem correr perigo. Também hoje com uma radiografia nas mãos, eu gostaria de analisar a beleza e a seriedade dos corações dos formandos da Escola Mater Ter Admirabilis.

Iniciemos o diagnóstico.
Eis que descubro no coração de vocês:

1. Vejo Amor: é impossível para quem tem ética, fazer um curativo, uma massagem nos pés, um exame, uma radiografia, sem ter amor. O maior remédio da santa Casa, mais do que a penicilina é o AMOROL, receita exclusiva do MATER TER.

2. Vejo Ternura: por isso , até os exames de sangue deviam ser colocados em papéis perfumados. Tal a esperança de um exame para um doente. Madre Tereza dizia: qualquer ato de amor, por menor que seja é um trabalho pela paz no mundo.
Graças a Deus já vi muita ternura ao dar um copo de água, ao colocar na mesa a bandeja de refeição ou ao levantar um travesseiro para mais fácil engolir qualquer coisa.

3. Respeito: Nós sabemos, sobretudo tratando-se de deficiências a importância de respeitar as potencialidades do outro. Cuidado com o perigo de vivermos em Pedestais do saber, e não respeitar o direito do doente, de também exercer o seu direito de auto cuidar-se. Não somos donos do doente diz a Ética.

4. Bom Humor: é um tipo especial de remédio e chamem como quiser, bom Humorol ou Pazil. É tão bom ou melhor que penicilina.
Ele porém deve ser bem dosado na sua fórmula e nunca vai mentir qual a verdadeira situação do doente.
Nunca é demais recordar do cuidado para que o cuidador dos doentes, não descuide de cuidar de si mesmo.

5. Espiritualidade: Vejo Jesus na Radiografia renovando a mensagem de amar o próximo como a si mesmo.
Curar é uma arte que começou com Jesus o grande Bom Samaritano, e continua com vocês.
Termino rezando para que vocês, sejam em tudo um pouco de Jesus. Os olhos de Jesus para enxergar o doente, os ouvidos de Jesus para atender rapidamente as campainhas dos chamados.
As mãos de Jesus para cuidar do sangues e dos pés dos doentes.
E ouçam a recompensa: do laudo de Jesus, diante da radiografia do coração de um profissional cheio de ética:

“TUDO O QUE FIZESTES AO MENOR DOS MEUS IRMÃOS FOI A MIM QUE O FIZESTES”.

Albano Cavallin
Arcebispo Emérito de Londrina
Londrina, 11 de novembro de 2010.

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